agosto 09, 2016

das cinzas

onde procurei palavras, encontrei sentimento
onde procurei respostas, encontrei dúvidas
onde procurei mágoas, encontrei conformação.

minha alegria: perfurada, ferida, conformada. porém não mais esquecida
e assim, quando procurei o que procurar, encontrei o erro de não ter primeiro aceitado a falta
e assim, quando aceitei, abri meus olhos e meus pulsos para injetar esse alívio nas veias,
um suicídio inverso, que ressucitasse minha sensibilidade.

e assim, ressurgi. 
inesperadamente, ressurgi.

onde procurei sentimentos, encontrava agora as palavras perdidas dentro de mim.
onde procurei dúvidas, encontrei certezas.
onde procurei o brilho nos olhos, encontrei voce.

abril 02, 2016

Vai

Vi-me atrelado ao seu juízo,
de portas e pernas abertas para o impreciso, o indevido, o incontrolável.
Juízo despido de notoriedades absurdas e limitado apenas àquilo que era, pura e simplesmente: um pecado nu e cru como o rascunho de um romance.

Seu juízo em mim é um masoquismo sentimental passivo, cujas dores que sinto me dão o prazer de me sentir vivo. É um conjunto de memórias que voltam sem querer ficar e partem com a certeza de permanecerem intactas. 

Meu vestígio de alma grita por liberdade desse seu juízo exarcebado, violento, oprimido.

Quero poder salientar minha essência no mundo, quero não precisar me afogar e reprimir meus desejos e sonhos em folhas de papel amareladas.

Vai. 

Me dê um único e último golpe da sua miserável misericórdia e me liberta de ti, pois vou descongelar minhas asas e vesti-las de primavera.

Vou pintar os muros do mundo com olhares alheios e sorrisos cheios de estrelas.
Vou fazer as pazes com minhas angústias e suas memórias,
e assim,
resgatar o apreço pelo vento no rosto, a admiração por um infinito colorido de azul,
o alívio de poder botar os pés no chão.

Livre.

janeiro 31, 2016

inesperado

eram opostos. 

caminhos opostos, raízes opostas, objetivos opostos.
o único que haviam em comum era a vontade e a gana de ir atrás do que os fazia feliz.
se encontraram um dia, se viram dois, três, cinquenta. 
dias e dias de palavras balbuciadas e às vezes reprimidas, culpadas. 
dias e dias de gestos feitos e às vezes não evitados.
dias e dias de momentos não arrependidos.
dias e dias que os resgataram das complicações que pesavam.
haviam nós na garganta, e daí veio o problema. 
havia também o frio na barriga.
havia curiosidade, havia vontade.
havia algo que ninguém explicaria, só sabia que, de alguma forma misteriosa, existia.
e se aquilo tudo tivesse sido feito pra ser? e se..?
mas não se pode ter tudo aquilo que queremos.
depois de horas e horas, perceberam não ser a hora certa.
se perderam.

e assim como o vento leva flores e folhas sem que o possamos ver, ele soprou e os levou para caminhos opostos novamente.

sentiam uma felicidade meio confusa, mas que ainda fazia completo sentido.
era como um lago durante a primavera, onde quando o vento sopra, a água flui, 
onde quando observado de perto, fazia dos reflexos algo mais bonito, vivo.
e assim, quando se olhavam no espelho, a imagem refletia aquilo que era resultado do que tanto correram atrás.
um dia, porém, o espelho se quebrou. a primavera teve seu fim.
se enganaram, se machucaram, se fecharam.
pararam de sentir. 
pararam de acreditar.
e assim, quando se olhavam naquele espelho pobremente consertado, a imagem refletida já não era mais a mesma. 
agora, tudo parecia como um lago durante o inverno. congelado, sem reflexo, sem movimento, só branco.
e, de certa forma, vazio.


mas, assim como o vento sopra trazendo pólen às flores, ele soprou e os trouxe de volta a caminhos semelhantes pela primeira vez.

se reencontraram um dia, se viram dois, três, cinco.
horas e horas de palavras balbuciadas, às vezes cautelosas, às vezes inconsequentes.
horas e horas de passados sombrios, mas que de certa forma os trouxeram até ali.
horas e horas de gestos e sorrisos, acompanhados de um sentimento confuso e inesperadamente bonito.
no fim, só queriam sentir.
só queriam voltar a acreditar, mas era uma vontade profundamente protegida pela congelada camada daquele lago de inverno.
se viram cinco dias, seis, sete.
estar presente no universo mais pessoal do outro, pela primeira vez, acabou sendo mais profundo que imaginavam.
e no meio de tantas montanhas e uvas roxas, o que mais se procurava era uma única uva verde, aquela que existia, mas que não se podia ter naquele momento.
no fundo, já sabiam.
no fundo, já sentiam, só não sabiam o que.
bastava.
e assim, o vento soprou mais uma vez.
leve, morno, como uma mudança de estação.

minutos e minutos de puro silêncio, assistidos por uma árvore majestosa que, agora, fazia parte de toda aquela história.
o lago, agora com uma fina camada de gelo, refletia de maneira turva os dois rostos, então espelhos quebrados já não pareciam mais fazer sentido.
já não era mais apenas branco, já não estava mais completamente vazio.
felicidade parecia fazer algum sentido ali.
e toda aquela vontade profundamente protegida de voltar a acreditar, agora era algo imperceptivelmente perceptível:
ninguém a via, mas eles sentiam crescer.
e assim, não estavam mais opostos, mas sim dispostos.
dispostos a viver.
dispostos a acreditar.
dispostos a sentir o vento juntos mais uma vez.

abril 18, 2013

perder

Perca teus modos, perca o rumo de casa. Perca-se no meio da multidão ou no vazio do mar, entre as ondas. Perca os sentidos, perca a noção, perca o medo. Perca-se nos braços ou palavras de alguém, de modo a encontrar-se num universo simples e paralelo.
Perca a hora, perca o sono, perca o medo de sonhar. Perca afetos, perca dias em casa na chuva, mas não perca os dias de sol na praia. Perca compromissos, perca as lutas, mas não perca aquilo que lhe mantém vivo na guerra. Perca crenças, esperanças, a fé na humanidade, mas não perca a vontade de lutar por algo melhor. 


Perca amores e perca anos, só pensando no quanto já perdeu. 
Perca a consciência e até jogue tudo para o alto. 
Meu amigo, só espero que você nunca perca o principal, aquilo que lhe faz tão singular e especial.
Nunca perca sua essência para o mundo real.

junho 20, 2012

Nós

Ah, o maldito Nós.
Primeira pessoa do plural, mas duas pessoas singulares.

Linhas amarradas, cabeças tumultuadas, vidas entrelaçadas: nós.
Não queira fazer o Nós com matemática.

O Nós, apesar de ser eu + tu, não passa de uma coisa só.
O nó, singular, vira efeito colateral dessa matemática invertida: nó na garganta, nó no estômago, nó na cabeça.
Idéias, pensamentos, sentimentos, todos confundidos, embaralhados, entrelaçados num grande nó.


Ah, o bendito Nós.
O Nós é rico. Rico de carinho, rico de sentimentos, rico de devaneios.
Eu quero teu bem, tu queres meu bem, logo nós acabamos construindo um bem ainda maior.
Se eu penso, tu pensas, logo nós pensamos juntos.
Se eu choro e tu choras, logo nós compartilhamos de inúmeros outros sentimentos e sensações.

Um nó pode ser cego e costuma ser desatado.

Um Nós, não.
Esse tal Nós, que nada tem de cego, consegue enxergar melhor que muitos eles e elas,
e depende do nó singular, própria e metaforicamente dito, para existir: não há Nós sem um nó entre eu e ti.

Resumindo,
somos aquela primeira e segunda pessoa, do não conjugável numeral,

somos um erro gramatical, mistura de singluar e plural,
somos apenas um,

um Nós.

junho 05, 2012

ops.

Impressionante o efeito colateral que sua presença me causa. Qualquer problema parece tão insignificante, pequeno, perto da imensidão de uma alegria tão diferente e tão boa. Eu sempre quis um universo só meu, sempre quis um mundo que eu pudesse fugir, fosse pra pensar ou fosse pra simplesmente recriar minha existência longe da realidade que me rodeia. O engraçado é que nunca parei pra pensar em nenhum mecanismo capaz de me transportar pra esse universo paralelo.
Aí você apareceu.
Do nada, no meio de uma agonia absurda que me consumia sem ninguém perceber.
Apareceu igual luz em fim de túnel, da maneira mais sutil do mundo. e me fez pensar, imaginar, CRIAR meu próprio mundo, aquele tão desejado. O problema (ou solução), foi querer sua companhia nele, naquele universo, antes meu e agora nosso.
Suas palavras caem em mim, puras como som de cristal, puras como seus olhos e sua bondade. Aprendi que não é preciso estar perto pra chegar tão longe com alguém, que a nossa insignificância em meio a um universo, supostamente infinito, é o que acaba nos fazendo mediucremente singulares na nossa própria existência.
Aprendi a não deixar de lado todo aquele sentimentalismo que resolvi enterrar, abandonar e esquecer: há por quem valha a pena esse sentimentalismo continuar a existir.
Há por quem valha a pena tomar chuva e sair correndo, alheio a tudo, no meio do nada.
Há por quem valha a pena olhar pro céu e, ao invés de estrelas, imaginar cavalos de fogo em meio a cavalgada.
Mas, mais que isso. aprendi o valor de poder compartilhar meu mundo, sem censura,  recebendo em troca as mais belas palavras e os mais belos abrigos,
abrigos que só existem aí, no seu mundo tão incrível, compartilhado comigo.

maio 01, 2012

lua ou santa

noite cinzenta de lua santa, clara de natureza e viva como nunca. Eu absorvi desejos e palavras tão ácidas que, diferente dessa lua, quase pereci por mim mesma. Eu e minha nada sã existência: clareza embaçada de idéias, peculiaridade de modos. Vomitando palavras e digerindo os acontecimentos mais bizarros que já me ocorreram. Me colocaram à beira de penhascos e eu caí, me quebrei como fino cristal e perfurei meu ego, minha sensibilidade, minha ironia e malícia. Foi tanto e foi tão pouco.. olho pra trás e busco a falta, ahh ignorância! Onde ficou todo meu sentimentalismo? Porque tanta razão me faz padecer agora, quando antes só os sentidos me afligiam?
Fase minha, me faz ver tudo com tanta clareza agora que passo a duvidar até de minha própria existência. Parei de contar meus segredos até pro espelho. Hoje é só meu interior diáfano: deixo entrar as palavras que me são ditas, mas não deixo se encontrarem com aquelas encrustadas na minha alma. O que foi feito de mim? Onde foi minha existência tão viva? De tanto entrar e sair de vidas alheias, parece já não fazer diferença quando isso voltará a acontecer. 
Me acostumei com a pior coisa que me via fadada a ser: um sopro, uma brisa leve na vida de uns e outros, como maré que vai e volta, como aquela cinzenta lua santa que, com toda certeza, jamais aparecerá como fez aquela noite.
Só não sei até que ponto eu, lua ou santa, cinza ou brisa, vou depender de um céu escuro ou de nuvens carregadas de lágrimas para aparecer.

abril 06, 2012

let it go

Deixa que cada onda do mar revolva teus sentimentos, fazendo deles a inconstância que mais me intriga.
Deixa que o vento trata de perturbar tua calmaria e de deixar inquieto teus pensamentos,
deixa que o sol nasça reluzindo, clareando tuas ideias, e que a lua, fosca e fria, espelhe uma imensidão de liberdade no teu oceano de desejos.
Então voa, vai com o vento, vai com o tempo, e só volta se teus ventos soprarem na mesma direção que os meus.


novembro 27, 2011

breve

Abracei o som, o tom, o desvio. Desviei da ponte, não caí no rio, tropecei no tapete vermelho para atear fogo naquelas cortinas. Eu pedi um abraço, não um esporro. Espirro e cuspo no prato que não comi, desatando laços e acanhando gestos. Fechei-me, fechei-me e me lancei na perdição que é o paralelo do seu universo.
Universal, bilateral, efeito colateral: você é isso pra mim. Eu pedi sua mão, não sua boca balbuciando mentiras.
Qual é o seu problema? É pedir demais um pouco de alívio?
Meu tempo correu nas ondas e no vácuo, transcendente, reluzente, despercebido.
Aliviado.
Você atendeu meu pedido?
Sumiu a agonia e mudou o meu estado. Sorria meu bem, o dia brilhou para nós hoje. Meu grito da noite não passou de um sonho ruim, e você estava ali, me acalmando em silêncio.
Eu não pedi nada e ganhei suas mãos, em forma de abraço. Eu me fechei no paralelo daquele universo, antes seu e agora só nosso, tão reconfortante, tão calado - bolinhas de gude não transpareciam mais azul quanto seus olhos o faziam ali.
Nunca ganhei tanto sem pedir nada. Nunca pedi tanto em silêncio, numa madrugada.

outubro 19, 2011

realidade

"A vaidade embaçava a amargura e a dor fechava a porta da consciência.". Vi-me na escuridão mais vasta e vazia que poderia me encontrar.
Ainda havia dúvidas assombrando minha sutil existência, dançando pelo salão da minha inquietude e deixando-se levar pelo sopro da minha ingenuidade. Entrei naquele estado, compreendido entre a mais pura lucidez e o abandono da realidade, vaga e vulgarmente conhecido como sonho.

As dúvidas.


Elas formavam um caminho de palavras aleatórias, estendidas ao longo de um chão negro inexistente, dando a impressão de que, sem elas, eu poderia cair, infinitamente, a qualquer momento.

Meu caminho de porquês, ondes e quandos tinha, agora, a cor da agonia. Era um vinho seco, mas com textura aveludada. Uma agonia que parecia confortável. Ao mesmo tempo, o tapete de palavras aos meus pés curvou-se, revelando uma porta.
Porta comum, cor de tronco que chorou com os golpes de um machado tão severo. Minhas mãos, pálidas e frias, encontraram a maçaneta. Descobriu-se, então, uma sala verde-escuro, infinitamente cheia de fotografias emolduradas, banhada apenas com o forte amarelo de umas chamas pingadas aqui e ali. A textura oca das paredes parecia sussurrar dilemas, tristezas das mais variadas magnitudes e alegrias perdidas em ecos distantes. Andava e observava cada fotografia, saboreando o cheiro de papel antigo exalado por aquela penumbra tão esverdeada e cheia de rostos daquela sala.
As fotografias narravam os momentos responsáveis por tantas dúvidas acumuladas até hoje, e era possível perceber claramente como dividiam minha vida em dois extremos: um lado suave, cor de céu de primavera, e um lado que talvez não tenha valido tantas reclamações e lágrimas como pensei valer. Elas expunham do mais puro ao mais cruel de meus pensamentos, detalhavam rostos, expressões esperadas que quase nunca faziam-se reais. Vi despedidas, vi laços desfeitos com a mesma facilidade com que tinham sido feitos, vi caretas e obscenidades às minhas costas.
Vi sorrisos, lágrimas derramadas comigo e por mim, de pura alegria. Orgulhos feridos, orgulhos merecidos. Abraços apertados, dias considerados como "o melhor da minha vida até hoje", risadas perdidas no infinito.
Vi estradas, noites em claro, palavras rabiscadas como puro desabafo, como faço agora. Chegadas e partidas, acasos felizes, coincidências incríveis, imprevistos inconsequêntes. Doses de fúria, medo, orgulho. Doses de perdão e cuidado. Céus mesclados entre azul, rosa e lilás. Céus mesclados de estrelas, lua cheia e seu reflexo inconfundível no espelho do mar. Neblinas, ruínas, gestos. Sonhos. Vagos desapegos.
Ancorei-me e lá fiquei, contemplando o verde à luz de velas e fotos. O espaço para minhas dúvidas aparecia sutilmente: rostos esquecidos, quem eram aquelas pessoas? Onde estavam e o que haviam se tornado aqueles, na época considerados meus grandes amigos e companheiros?

Quem valeu a pena?

O que valeu a pena?

Quando olhei para baixo, percebi ter desaparecido aquele meu caminho de palavras venenosamente salpicadas, abrindo um imenso vão, que nada tinha de confortável.

Senti a queda, senti o vento, senti a claridade me cegando.
Sabia das dúvidas e de sua infinidade alheia. Sabia da existência delas em cada um daqueles outros rostos, perturbando ou abrindo a mente de tantos e poucos. Sabia estarem todos alheios à essa chance de poder reviver suas dúvidas de perto, por simplesmente duvidar de menos.
Chance essa merecida por mim, naquele sonho vago, sem saber o porquê, trazendo certeza e dúvida de mais um milhão de coisas. Mas, mais do que isso, me fazendo perceber que reclamações e lágrimas bruscamente arrancadas não fazem o lado bom da vida.
A vaidade, aquela que embaçava minha amargura, só me fez ter mais amor por mim e pelos outros.

Me fez acordar para aquele estado, compreendido entre a mais pura dúvida e a certeza tão incerta, vaga e vulgarmente conhecido como realidade.

outubro 15, 2011

pecado

E quem poderia dizer que um dia estaríamos à mercê de tantas provocações?
Os sussurros da noite calavam até seus pensamentos, aqueles proibidos, aqueles ressentidos, todos explicitamente negados, mas, interiormente fazendo de ti um crédulo tão profano.
A contragosto, a agitação invisível de um sol inerte desinibia águas, ares, seus olhos. Digo isso porque, ao contrário do esperado, seus olhos tornavam-se foscos à medida que os minutos iam se esgotando, ao invés de reluzirem enquanto a inércia tomava conta de uma lua qualquer.
As provocações continuam, as provocações do meio, da massa, da vida. Você se embriagou de uma certeza tão incerta, que afundou-se em ilusões.
Provoco-lhe agora pois, num descuido e num descaso, me vi como uma presa, fundida numa teia onde o mundo resumia-se ao meu predador. Vi-me atrelada ao fundo do seu poço de espera e desesperança, e, assim como gotas de chuva caem como pequenos cristais no telhado, caíram pequenos cristais afiados, como chuva, em meu interior já tão ferido.
Mas observava, certa de que cada dia provocava uma pontada de desgosto a mais em você, um sorriso em falso para aquela massa toda, inocentemente crédula em sua satisfação inexistente. Cada pergunta provocava um mar de dúvidas, aumentando o vazio, aprofundando aquilo que já se mostrava tão inalcançável. Cada gesto e cada palavra já soavam naturalmente como provocação, junto de cada consequência jamais antes pensada.
Digo isso apenas pelo fato de, mesmo o vendo tão perdido em tantas ilusões, ainda crer na existência de tudo a que tanto aspira. De crer na sua própria existência.
Na nossa existência.
Isso é concreto, ninguém pode contestar. Por mais duras as minhas palavras, acredito valer a pena cada pedaço perfurado em mim por pequenos cristais.
Acredito em sua embriaguez tão certa e nos seus olhos, friamente foscos pela noite, inutilmente perdidos no horizonte.
Queria eu poder encontrá-los e mostrar no que mais a vida pode-se resumir.
Queria eu poder curar uma ressaca de certezas com dúvidas construtivas e não ter cicatrizes como consequência de simplesmente acreditar.
Queria apenas que entendesse, essa é a minha forma de amar.

julho 20, 2011

sem título

Foram momentos conturbados, escassos, confusos. Renderam noites e noites de insônia, brigas sem motivo, sofrimento antecipado e iniciativas impulsivas. Eu queria que tudo aquilo acabasse logo, mas do jeito esperado. Mas claro, como sempre, as coisas não funcionam assim no meu universo, por isso esses momentos tão desequilibrados ocorreram. Até que uma porta se abriu, e me vi correndo desesperadamente na direção mais oposta ao caminho desejado. Me sentia conformada, me sentia bem, via novas oportunidades e até novos objetivos. E adiantou?
Tudo pareceu mais um teste de paciência e equilíbrio emocional. Simplesmente porque vi, diante de mim, aquele primeiro caminho desejado, há tanto tempo, sendo novamente colocado ao meu alcance, como sendo algo simples, já certo, prometido.

Costumam mandar a gente não desistir dos nossos sonhos e objetivos. Eu continuava não acreditando, não me iludindo, não querendo quebrar a cara mais uma vez, mas eu acreditei. Aquela vontade de me libertar e ir atrás do que sempre quis era muito mais forte do que eu. Eu acreditei, eu me joguei no meio daquela confusão mais uma vez, perdi mais noites de sono por pura ansiedade, mas consegui. Me sentia realizada, aliás, me sinto até hoje. Isso tudo me serviu para eu descobrir que a vida não é feita de uma só escolha, de um só caminho. Você deseja e determina seus objetivos, sem olhar em volta, sem perceber as oportunidades valiosas encontradas ao seu redor e que são tão desprezadas.

Quando você não consegue aquilo que deseja, perca noites de sono, chore, brigue até com a parede, mas deixe passar. E quando voce perceber, vai estar andando desatento pela rua e, sem querer, vai encontrar algo ou alguém capaz de lhe mostrar, num pequeno gesto, o quão capaz você é de dar novos sentidos à sua própria vida.

abril 29, 2011

jardim

Meu Deus, cadê a árvore colorida dos meus olhos de mel?
Cadê a lágrima partida por baixo do véu?
Separou, ô saudade daquele amor, ô minha tristeza que você deixou,
ô, cadê meu interior?
Esse samba tocou e me entristeceu. Me fez ver vento onde nem moinho tinha;
vi ele carregando folhas coloridas de cereja por toda aquela neblina.

Eu sentia, eu chorava, eu pedia, implorava.
E como num púlpito, diante de uma platéia verde e cinza, palpitava-me um soluço oculto e de vorticidade intensa na minha garganta.
Aquelas folhas verdes iam para leste do meu ponto tão sul.
Não me interessava.
Meu deus, cadê a árvore colorida dos meus olhos de mel?

Aí eu vi.
A norte, uma árvore nua.
A sul, eu.
Árvore,
eu.
Folhas e vento,
árvore e eu.
Folhas da minha árvore colorida,
galhos secos,
eu.
Folhas crocantes,
árvore morta,
eu
e meus olhos que nem abelha queria mais.

Então, acabei descobrindo que meu maior pecado foi chorar por aquele amor infértil as águas que trariam à vida minha árvore de mel.

março 09, 2011

24/12/2010 - 06:00

Um fio de luz atravessou aquela porta incolor e desviou.
A chuva não cessa, minha lanterna agora encontra-se fraca, diferente daquele fiozinho iluminado ainda ali presente.

Essas obscuridades, não tão profundas ou obscuras assim, me assustam. Roubam minhas idéias e, com elas, meu sono se esvai. Eu penso, reflito, sonho acordada, mas de que adianta? Eu me embebedo de ilusões por elas me fazerem sorrir, mas, e enquanto a minha realidade? É duro viver preso, atrelado à ela. Você quer ser livre?
Cuidado, você pode ser atendido.

Vou acabar vivendo de café e papéis escritos, enquanto lá fora o dia segue nascendo, com chuva, luz e meus sonhos desatentos,
dia mergulhado num oceano de partidas, falsas promessas e amores florescendo, feliz por encontrar uma razão para nascer mais uma vez.

março 08, 2011

quase

num passado pensante, andante,
andou sem ver, tropeçou no fim do mundo e desapareceu.
acordou insano, paisagem desmoronando e um rosto lhe observando.
correu e caiu,
levantou e sorriu.
percebeu ser em vão mas, cadê seu chão?
só paredes, só teto, mas o chão não lhe cabia mais nos pés.
sentou e suspirou,
deitou e dormiu.
acordou cansado, desmemoriado, cheio de nada.
foi então que deu um soco no ar, desistiu de gritar
e pegou suas coisas pra fugir daquele lugar.


outubro 31, 2010

alô som

primeiro teste. ♫




The Boxer Rebellion - Broken Glass (!!!!!)
Katie Herzig - Songbird
Band of Skulls - Cold Fame (bonita/triste)
Georgie James - Places
Sara Radle - Song For Adam
Superchunk - Digging For Something (legal)
She & Him - In the Sun (!!!!!)
Florence and the Machine - Kiss With a Fist (animadinha)
The Temper Trap - Love Lost (!!!!!!!)
Buffalo Springfield - For What It's Worth (60's)
Stealers Wheel - Stuck In the Middle With You (70's)

outubro 28, 2010

uma memória a mais

Foi bom. Eu tinha saudade daquela sensação, daquele abraço que, sem dúvida, dispensou qualquer palavra, mesmo parecendo ter dito por si próprio: caramba, que saudade.
Fixei os olhos naquela face que não mudara em nada, mesmo depois de tanto tempo.
O sorriso era o mesmo, o toque era o mesmo. Mil e uma coisas passaram pela minha cabeça e meu mundo real pareceu sumir. Não foi muito tempo, foi só o suficiente pra aumentar uma certeza recolhida a qual eu insistia em negar, infelizmente.
Num segundo momento, outra sensação, dessa vez mais intensa. Agora eram duas, três mil coisas passando pela minha cabeça. Foram pouco mais de duas horas num universo paralelo, o tempo não poderia passar, ah! me deixa ficar um pouco mais com você.. E de fato, por mim, viveria dias e dias naquele sofá, numa madrugada infinita, sem fome, sem frio, sem falta. Eram movimentos milimétricos, insignificantes, mas carregados de ansiedade e agitação interna, tudo timidamente feito em silêncio, com o único propósito de um sentir-se mais próximo do outro. E tão próximo que, a certo ponto, parecíamos estar no limite entre aquilo que fomos um dia para o que somos hoje.
Minha mão caminhava sobre seu rosto e, propositalmente, sua boca. Tudo o que se ouvia entre aquela mínima distância era respiração. As respirações se cruzavam, pareciam dançar naquele limite já quase extravasado, e assim passou o minuto mais longo daquele dia, daquela semana, daquele mês. E quando o ápice não supriu mais o momento, sua boca sutilmente encontrou a minha. Seu beijo também não mudara, seu jeito não mudara, éramos um só.
Éramos.
E fomos assim por mais um instante, até me despedir.
Fixei os olhos naquela face pensativa tão conhecida por mim. O que foi? O que aconteceu? Eu já sabia a resposta. Era outra despedida, mas sem data para (im)prováveis reencontros. E enquanto machucava nele, igual feria a mim. É, mais um abraço para meu acervo pessoal de últimos abraços. A diferença foi ele ter vindo junto daquilo que sempre gostei de ouvir. Aliás, minto, isso fora apenas consequência. A real diferença foi ter vindo com uma imensa interrogação, com significados um tanto perdidos. Mas mesmo com os olhos vendados e os pensamentos alheios, havia ali algo especial. Havia ainda alguma coisa que, ao contrário de nós, não mudara.
O duro era saber que todo aquele sentimento, por mais forte e maior que fosse, não nos faria passar daquele ponto. Não era mais possível viver o que tanto insistimos em viver. Nossa hora passou.

E no meio daquilo tudo, o único motivo de me fazer partir, foi a certeza de que aquele amor seria eterno,
para nós dois.

outubro 17, 2010

versos versus versos

meus versos caminham com os teus, atrelados,
e neste compasso me banho em teu brando pensamento,
que em nenhum momento ficara preso, voou livre como um pássaro,
batendo asas ao acaso, melindroso
e à mercê de encontrar um novo amor;

por tão sedento de liberdade,
teu pensamento me atropelou,
e, enquanto disperso me banhava, teu verso me afogou,
e eu, que não sabia voar, entrei em contradição,
meus versos, agora descompassados, caminham escassos,
não sabem falar, não sabem o que é chão.

meus versos caminham sem os teus, inconformados,
e neste descompasso me perco, vendo teu pensamento contrário,
que a todo momento seguiu ao meu lado,
junto a versos oblíquos, dissimulados,
e penso, malditos versos próprios, os teus.

se não tivessem me afogado,
veriam eu,
que só queria versificar-te um novo amor.

por eduardo e b.

outubro 02, 2010

não to

cadê meu chão?
meu chão sumiu, sumiram os tacos de madeira, os sofás, as paredes, todo o alicerce.
cadê minha lágrima?
ela parecia tanta que se juntou até virar nó, virou nó no peito, na garganta, virou nó e não quer sair.
sai de mim, lágrima, não to afim de sofrer por nada hoje;

setembro 26, 2010

hoje

Quer uma dica?
Dê atenção àquilo que lhe trará maiores benefícios futuros.
Seja em relação a estudo, trabalho e/ou relacionamentos. Você precisa prestar vestibular no final do ano? Não perca tempo fazendo continhas de multiplicação e divisão, pegue provas da faculdade desejada, pegue uma tarde para resolvê-la, faça cálculos a respeito do rendimento obtido, SE ESFORCE.
No trabalho, a mesma coisa.. Você quer aquele cargo? Seja o melhor na função por ele exercida, você pode tudo.
Relacionamentos? Dê atenção a quem lhe dá atenção. Escute quem escuta você. Mas cuidado, não espere quebrar a cara para perceber que confiança é algo a ser conquistado, não se ganha. E depois de perdida, dependendo da pessoa, leva-se tempo até reconquistá-la.

Portanto, se esforçando agora, você não vai sofrer com a decepção de não encontrar seu nome numa lista.

Focando objetivos você conseguirá realizar suas maiores vontades.
Não entregando sua confiança numa bandeja é o primeiro passo para que, mais tarde, ninguém use suas confissões contra você.
E quer saber? Precisamos de gente para nos apoiar emocionalmente. Mas amigos, às vezes, um só basta. Um que seja confiável e leal o bastante a você.

Por isso, cuidado: você está à mercê daquilo que escuta, repassa, confessa, acredita, mas, principalmente, à mercê das suas prioridades.